top of page

Artista Marginal

Mente imaculada, protege teu filho. Não sou dono de nada. Sou o privilégio daquilo que minha mente permite acessar. Devagar, só quando for peculiar e cômodo, pois sempre há um incômodo para me tirar dos pontos. Finais, anais, de mais a mais, sou descendente de  Barrabás. Aqui jaz, irmão nosso. Ciente do que posso, me esfrego no ócio e me recuso a ser dócil. Intocável feito um santo, derramo no meu manto, gotas do teu vinho. Um cabernet puro sangue, por terra e pelo mangue, não há curativo que estanque o sangramento de nossa ferida cultural. Prazer, marginal. O tal que vos fala. Animal, desde a evolução, pois o mesmo ser que promove a revolução, reluta contra todo tipo de padrão. Caixão, dizem que é a meta, porém minha cabeça aberta me leva aos confins do infinito, e vos digo: Não há nada mais bonito. Extinto? Só meu pensamento livre, pois há sempre um fiscal de campana no estádio do meu time. Desfalcado entre os vagos, exibo minha alma destroçada, pois desconstruo minha visão desfocada e procuro no além, a próxima tragada. Brisa, corrida, grita: É a vida, se esvaindo pelos cantos. Insano, mundano, escorre pelos canos da verdade, faz de mim esfinge da vaidade, e sem implorar piedade, morro ao dormir ressuscitando o pesadelo. Não há medo, só o receio, de acordar e perceber que o sonho é mais belo que meu cotidiano. Meu dia cheira a propano. Mendigando. Deus ajuda quem cedo levanta? Então por que quem não dorme, não descansa? Opressora sanha. Palavras ao vento. No relento encontro os verdadeiros talentos. Meras circunstâncias de quem não tem direito à infância. No estomago só a ânsia. Vômito  desespero. Salve Tim que já dizia: “O que eu quero é sossego!” Fujo pro desapego, encontrando num livro infantil, o perseguido coelho. Eu creio! Em mim e nos meus pensamentos. Busco meu sustento, mas pro sistema não me vendo. Se fazer arte é coisa de vagabundo, então que eu seja o pior moribundo. Pois nas minha rasas frases, escalo minhas fases, jogando fora as chaves. O fogo arde e já é tarde, passe meu copo antes que o dia acabe. Sobriamente louco, engulo o sufoco e absorvo de tudo um pouco. De Saramago à qualquer tolo. Palavras da alma serão sempre a válvula de escape. Start, pause, continue! Quantas vidas ainda me restam nesse jogo viciado? Rolam os dados e já não cubro as apostas. Nado no rio de bosta de costas para o caos. Ignoro o fato real de ser somente um personagem teatral. Sem natal. Quebradiço como bolacha de água e sal, o amor se tornou banal. Não adianta lutar, a gente sempre morre no final.

Yuri Cidade

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

O Uivo

Comentários


Post: Blog2_Post
bottom of page