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Esquecer de si pra se encontrar

Pesada como meu intelecto, é a quantidade de dúvidas que carrego. Pergunta às quais jamais hei de aceitar respostas curtas ou dogmáticas. Nem um pouco pragmático, não cálculo minhas ideias feito um cavalo que há de puxar uma carroça. Eu vim do abstrato, daquilo que quanto mais se explica, mais novidades se vê e se descobre umas outras tantas possibilidades quânticas do mesmo ser. Caminho é somente um desenho dos nossos passos no chão baseados nas escolhas que fizemos e faremos até pararmos de caminhar. Qualquer mínima mudança na nossa realidade molecular pode causar infinitas reações distintas pra todos e para o mesmo ser. Somos um só. Somos o planeta respirando e percorrendo sua órbita em busca da perpetuação do seu legado através das gerações. Às vezes pra nos encontrarmos, temos de nos perder. E esquecer de todo e qualquer filtro manipulado que foi imposto a nós. A criação pelo simples fato da existência e não pela noção de certo errado. Fazendo referência e reverência à Platão, imaginemos-nos totalmente fora da caverna, onde a luz nos cega de tanto nos fazer enxergar. Talvez alguns poucos ainda achem que seja melhor continuar na ilusão mitológica e controlada da escuridão da caverna. Porém um ser humano sem filtros, e espelhado em sua plena capacidade de entender melhor o que realmente se faz para atingir a sua forma mais harmoniosa, é um ser contemplativo a si mesmo, refletindo seus sonhos em todos os que o cercam, servindo de pleno exemplo para seus semelhantes. Uma vez experimentada a clarividência, jamais voltaremos para o buraco escuro que vivemos. Deixeis o sol brilhar e inundar o interior dos seus seres com sabedoria. E o tempo? Apenas é um conta-gotas da sua vitalidade, podendo ser ocultada pela vontade sentir-se cada vez mais vivo e ligado a razão. Sem previsões, apenas a precisão intacta de não saber o próximo passo e mesmo assim tentar controlá-lo, porém sua real vontade é sempre superior à sua teimosia de controlar você mesmo. O conhecimento liberta, e quebra as correntes de um cotidiano arquitetado por obrigações alheias. A ordem é esquecer a ordem, e em meio à desordem das respostas, encontrar o sentido na busca e não no fato concreto e final. Somos bem e somos o mal, as duas facetas da visão utópica do ser humano. Sem rótulos, sem títulos e sem receio de entregar-se ao duvidoso, pois é assim que entenderemos o nosso real lugar  na existência.

Yuri Cidade

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