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Hora marcada pra vida

O vento me cortou o rosto, servindo de encosto para um enrosco de pensamentos aleatórios, e contraditórios, sobre onde estaria o próximo passo. Cansaço. Eterno paradigma do “Por quê?” diário, que todos se perguntam ao seguirem suas trilhas, nada sonoras, em busca simplesmente de um conforto no próximo final de semana. Passa a semana totalmente sem sabor. Engolimos tudo inteiro, sapos, verdades e mentiras, sem nem mastigar os detalhes, e nem mesmo absorver os primeiros raios de sol. Ainda são 8 horas. Mal acordei agora, engolindo na xícara de café quente, a anestesia para frio que arrepia-me a espinha ao olhar pra frente e não enxergar absolutamente nada. Entre a cruz e a espada, brindei a existência com sorriso de cinismo, e fiz do ceticismo, puro anti-depressivo de minha alma. Na calma, subi as escadas, divagando sobre a estrada que havia me levado até ali. Nada mais que minhas pegadas no chão batido da realidade. Triste idade, em que não se vê a vida mais como um parque de diversões. Entre reis e peões, somos apenas o próximo sacrifício em prol de uma causa que nunca é certa. A resposta é o que diria meu velho amigo poeta: “A vida não passa de uma causa perdida”. Revestido de concreto fez-se a maternidade do progresso desenfreado, tão aclamado e prejudicial ao meu estado. Pecado? Se é então, que seja a luxúria. Glamourosa loucura que faz do prazer nossa real manifestação de vida. Crucificado pelo pudor, não há mais amor na sua forma mais sincera. Pela próxima expurgação cristã ficamos à espera. Por mais que os conceitos morais nos doutrinem à abolir os prazeres, faço deles minha real forma de demonstração vital. O bem e o mal só existem pela necessidade do homem pôr a culpa em alguém, jamais respondendo pelos erros, não passando de falsos apelos ao abstrato mundo do perdão. Ilusão, bebida de antemão, faz de nós apenas um padrão, eximindo de nosso espírito sua total imensidão. Abro a porta e me deparo com rotina, hora de ligar o piloto automático e continuar minha sina. Hoje é sexta, ufa! Vejo vocês, e a mim, às 18:00 horas.

Yuri Cidade

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