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Mentirosa Mente

Na verdade, sou apenas a mentira diluída nos teus braços, afagando o cansaço sobrepondo a ilusão. Tudo em vão. Meu corpo são funciona sob a ordem de uma mente doentia, transformando os meus dias em lapsos de tempo sem precisão. Tudo é uma questão. O invisível visa o esconderijo dos meu segredos, enquanto que o medo é somente o desejo de não ser pego. Frio como gelo, quente como brasa, a minha casa é minha cabeça, fazendo o possível para se autoenganar antes que adormeça e volte a sonhar. Vasto mar que se apresenta, desalenta e espanta meus demônios. Salve Iemanjá, que no fim do verão abraça o outono. Sono, pesado e comprido, as vezes é feito sonho, mas por vezes é um comprimido. Analgésico mental, postura irracional de um ser racionalmente animal. Seria verdade a ilusão ou a mentira é que real?  Faz-me mal, ao tirar seu ponto final do meu contexto, deixando que todos os pretextos se apresentem fronte ao caos. Eu sou a luz, o ímpar e o singular, lutando para continuar a não fazer-me par. Mergulho no mar mas não volto à tona. Me faço numa bolha que se desprende desse universo. Deixo que o concreto se dissolva no caminho incerto dos meu versos. Flutuo pelas órbitas alheias, deslizo sobre a teia de uma centelha de planetas. Por entre galáxias e estrelas, feito um cometa me apresso, corro e me disperso pela infinda escuridão, procurando uma nova versão do moderno cidadão de outro planeta. Extraterrestre da terra, vive em seu mundo, mas come o lixo de quem lhe emprega. Da vida eu quero trégua. São vastas visões, inúmeros padrões dos quais desvio minha mente. Espero que um dia seja tão crente, para poder acreditar na vida após a verdade. A vaidade é meu ponto fraco, assim como todo animal que possui tato, satisfazer meus pecados é que da cor ao meu retrato. Escravo do surreal. Fujo do real e disparo no infinito, não quero que tudo seja bonito, que tudo seja apenas um indício de que há muito mais do que somente um início. Pra onde devo ir? Pra frente! Sempre em frente rente ao presente que se faz passado há cada passo transpassado. Descompassado, eu apenas disfarço que miro um futuro presumido. Prefiro e admiro o perigo, que se faz amigo de quem se encontra ao se perder. Eu sou um ser e eu quero poder ser. Sem ter que viver o que o outro quer fazer. Individualismo necessário combinado com uma mania de superioridade autodefensiva, pois na minha vida nada vem de graça. Nem mesmo minha marmita. Há cada um que passa, uma memória, as vezes dor, as vezes glória, mas sempre indo embora, pois louco não faz morada e nem marca hora. Eu sou louco, sim! Admito minha insanidade ao cruzar com a sua santidade de ser pé-no-chão o tempo inteiro. Eu quero mesmo é ser arteiro e não artista. Quero retratar a minha vida, fazendo pirraça da minha própria agonia. Mais dia ou menos dia, eu ei de te decepcionar, mas ainda assim, poderás me admirar pela capacidade de duvidar do amor alheio. Pois meu único receio, é que o amor volte a me devorar.

Se tudo que vejo é apenas reflexo do meu cérebro, deixem-me com o ébrio, pois encarar a realidade com excesso de sobriedade, seria me fazer assinar meu mandado de prisão. Eu livre feito o leão, rugindo por todos os cantos. Admito que nem sou e nem quero ser santo, pois minha canalhice não chega a tanto. Me levanto toda manhã como quem espera que o hoje vire o amanhã, para que o ontem possa ser a desculpa das minhas más escolhas. Memórias são feito as folhas caindo da árvore da vida, anunciando o renascimento ou a morte. Amor é pra quem tem sorte. Disparo pro norte e vejo seu mundo se desprender do meu. O teu já não pode ser nosso, pois a única coisa que posso e te apresentar um novo eu. Amanhã nem lembrarei disto, visto que tudo isto é somente minha ilusão de que posso me considerar vivo. Universo escrito, registrando minha ilusória vitalidade. Sou apenas um amante da irrealidade, deixando que minhas mentiras façam parte. Já é tarde, me disperso dos demais. Alguma coisa mais? Sem despedidas ou cartões postais, termino minha existência nestes singelos pontos finais…

Yuri Cidade

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