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Sobre verdade, filosofia e amor

Sem precisão, me pus a pensar. Se de mais a mais, o que seria essa tal verdade que procuramos? Por que tudo tem que ter um fim ou uma razão? Dialeticamente falando, não faço alusões em vão ao meu intelecto, sigo apenas o que meu cérebro permite aceitar. O grande estresse mora quando meus sentimentos, vindos de onde não sei, afloram e negam até mesmo minhas verdades mais concretas. Espertas e caladas, minhas palavras só tomam forma por aquilo que sinto, pelo simples fato da dúvida me faço vivo. Existo para uns outros tantos mortais que admiram ou odeiam alguma característica minha. O desprezo ou a menor que seja a indiferença, me torna esquecido, consequentemente inexistente a esses. Cada mundo é formado meramente por aquilo que fazemos existir, pensando ou interagindo com os demais seres que nos dão algum sentido, bom ou ruim, pelos cômodos que passamos. Insano seria simplesmente projetar facetas daquilo que não nos toma atenção, sentimento ou devoção de algum lapso temporal para tal pensamento. Tudo que existe no meu mundo se registra no meu cérebro, que em discordância com meus instintos e sentimentos, fazem-me sucumbir aos prazeres, morais e carnais, projetados pelo outro ser que me atrai. Amor e ódio advém do mesmo recinto íntimo que se localiza dentro de mim, fazendo assim, nada mais que um escravo luxuoso do meu interesse. O que me faria abdicar de interação com outros seres, seria tão somente a plena satisfação em conviver com um espírito semelhante ao meu, que seja capaz de satisfazer-me não só carnalmente, mas como intelectualmente com sua simples presença. É uma desavença entre instinto e o conceito de amor, pois não há ligação dentro de mim capaz de formar uma verdade absoluta sobre o porquê sinto isso. Razão não nega amor. Por falar em verdade, sinto todas as demais emoções, pois sou humildade ao ponto de confessar de que posso mudar toda minha linha de raciocínio, por um simples sorriso que me faça hesitar. Certo só é mesmo minha sucumbência ao que desperta minha fixação e devoção, seja uma pilha de livros, um filme ou as curvas sinuosas e as palavras doces de uma mulher. Haja fé na ciência para negar que há sempre algo a mais naquilo que se deseja. Se toda personalidade e sentimento são apenas formados por células e fluidos corporais, por que o ser humano é tão apto de sentir algo além do que seu corpo necessita? Essa pergunta me irrita ao ponto de querer me fazer um ser puramente frio, porém algo sempre acaba por brotar das entranhas ressoando uma voz na minha cabeça que diz: permita-se errar e amar, só assim chegará perto do real conceito de humanidade. Talvez seja isso o motivo de eu gostar tanto da frase de nietzsche: “Torna-te aquilo que és”. Diante disso, todas as verdades somem, meus conceitos parecem vazios e meus sentimentos afloram de uma maneira que me fazem cometer as ações mais idiotas pelo simples prazer de ser notado. Se a nossa existência não depende de outro ser, qual seria o motivo de querer se fazer existir para outrem? Me sinto  em um labirinto, onde não acho saída, ou não quero achar saída, sem antes poder descobrir o que é realmente o amor. Isso não me torna menos racional ou mais imbecil. Isso me torna apenas o que mais procuro ser: humano.

Yuri Cidade

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