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Suspiros

Recolho os restos. Garimpo o mais raro minério. No meu cérebro atormentado, apenas um retrato dos diversos “eus” que criei para chegar até essa página. Meu fel corre no sangue, assim como qualquer ser que depende da maldade para existir a bondade. No desafino do invisível, o abstrato caminho que te roda em círculos, te apresentando milhares de dimensões da mesma situação vista de diversos olhos, os quais não possuo. Meu olho é cego para aquilo que existe na minha cara. No recuo da bateria, estaciono o ritmo da minha mente, e nas páginas de um livro metafísico, desconstruo meu ser e recolho-me à inércia de quem não sabe de nada. Um ignorante empilhado na estante como tantos outros que completam a coleção. Humildade é apegar-se a si, e fazer de sua mente, o alicerce que segura os infinitos andares cheios de cômodos que um ser possui. Entre valas e vielas mentais, também se forma a favela acostada no morro de pensamentos excluídos pelos filtros inconscientes que os padrões te doutrinam. Meu movimento social íntimo, recorre em sempre buscar a igualdade dentro de mim. Um duplo ser em um só, beijando a si para brindar o individualismo necessário. Vida longa a mim! Pois o mundo dos outros não me interessa, meu corporativismo necessário se torna, no fim das contas, um método de sobrevivência para que meu mundo seja o mais confortável possível. Sou o que vos fala, mas que certeza tenho que não acabo de escrever sobre mim pra mim? Sou a eterna dúvida que se resume em: “O que é real e o que é realidade?” Serei louco? Falo com personagens que iludem-me criando a sensação de que não estou sozinho? Ou serei o seu personagem que escreve simplesmente para te dar a mesma sensação? Neste momento, não sei quem sou. E nem você que lê, sabe seu real papel. Seremos protagonistas ou coadjuvantes? Sem roteiro ou diretor, me ponho no improviso vital. Abraçando meus anjos e demônios, pois todos fazem parte de mim. Bem ou mal, são apenas reflexos das milhares de faces de um ser que existe de diversos humores e sentimentos. Desde já, agradeço pelos momentos, pois por esses míseros minuto, você me deixou existir em seu mundo.

Yuri Cidade

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