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Tomada 1: Gravando ao vivo!

Propenso ao caos me fiz, eis-me aqui, servo de mim. Desconstruo meus pareceres diante de deveres imputados pelo meu alter ego, para fim de satisfazer as mais puras vaidades que me apego. Humanismo é o minimo ato de se curvar a si, não definindo ao certo, pensamento exato e conexo ao nexo que me leva a atuar. Fiz-me par de fronte ao espelho, em meio à luz, vejo o descarrego do peso, árduo e contínuo, das dúvidas que hei de levar até o caixão. Sem chão, em vão, por então assim dizer, venho aqui transparecer o mais puro e cristalino retrato de um poeta decadente. Que de tão demente, ousou duvidar de tudo que já se fora implícito, e se basear em qualquer argumento que jamais foi dito. Meu universo é escrito, alto feito um grito. Repito, aponto e apito meus maiores defeitos na cara de quem ousa tentar me conhecer. Não há o que entender, somente o que desentender. Uma cópia tão original de um ser normal que brinca de escrever de maneira singular e visceral. Há de se ver que fujo a regra, quebro a banca e aposto alto, dando um salto na esperança de burlar a estagnação humana. Fina membrana, frágil cabana, pequeno envólucro que separa lucidez de insanidade, fez de mim escravo das vontades, e me permite pirar para alcançar tal sanidade. Quero sair para sempre da caverna, mergulhar entras pernas abertas do mundo e fazer amor com o infinito. Meus textos não são bonitos, finos ou recatados, são apenas recortes despedaçados dos mais meros fatos, montando um quebra-cabeças abstrato, que forma um quadro mais clínico do que artístico. Meu sorriso é cínico, um detalhe mínimo para atos falhos e sentimentos confusos. Como o obtuso, mergulho entre as palavras, usando até mesmo de um vocabulário chulo para dizer as mensagens mais sinceras. Se procura reza? Acende vela pra outro santo. Aqui não é lugar pra salvação, minha fé é somente no pecado espalhado por todos os cantos. Sejamos francos: o que queremos é prazer. Espera, calma e respira, não vivo só da ira. Também me derramo pelo amor. Sem pudor, rasgo-me diante do ardor de um desamor em desencanto. Platonismo romântico de algo inexato e quântico. Recolho os cacos, limpo os ferimentos e suo ácido. Soa o gongo e não me salvo. Com um direto bem no alvo, caio no ringue feito de asfalto. Guarda baixa demais para o último assalto. Aberta a contagem. Mas antes do nocaute, bebo a última dose de coragem e me levanto às 8 em ponto. Tomo meu café e parto pro novamente confronto. Sobrevivência é o contraponto da rotina disfarçada de vida, tão aberta quanto minhas feridas. Para fim de me curar, uso a escrita. Pela arte a vida imita, não se limita, apenas grita. Tapem os ouvidos, fechem os olhos e calem os sentidos, pois quebro a barreira sonora, e faço do agora o maior tormento de quem se recusa a escutar a frieza da realidade. Infâmia verdade. Dito as letras aleatoriamente, pois o presente é o único tempo apto para se perder. Perco-me em meio ao som do meu disparate mental, desregrando qualquer sinal de navegação. Ação! Gravando! Assista agora mais um episódio da minha série favorita: Afinal, o que você faz da sua vida?

Yuri Cidade

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