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A Orgia

Absoluto. O tempo se fez oculto e o ar se transformou em gás paralisante. Instantes e montantes de pensamentos esquisitos escorreram pelo ralo da pia. Orgias mentais, entre as quais não conheço minhas amantes. Fodas sem pretexto, palavras de um desconexo texto, escreviam em cada corpo. A poesia de cada ser, se degladia com os anais da hipocrisia em meio ao estupro de um vulnerável poeta. Discretas, elas me deixaram nu e puseram-se a masturbar minha filosofia. Sem ideia, causa, justa motivo, apenas pelo prazer de me fazerem sentir vivo. Em total declínio abracei seus avantajados peitos e mergulhei entre suas pernas, gozando minha liberdade. Sem julgamentos, tormentos, somente o puro esquecimento que me faz realmente ser o que sou. Por onde eu vou, sempre há de encontrá-las nas esquinas das ruas sem saída. As minhas preferidas sempre foram as diferentes, mas de lá pra cá, apenas rezo para que sejam gente. A imaginação me transborda a boca, criando posições acrobáticas das falácias desmentidas por um filósofo puteiro. As palavras são minhas putas, eu as cafetino para mim mesmo, pago mal, vicio-as e torno a exprolá-las para minha própria sobrevivência. Eu transo com indecência, misturando filosofia e ciência no meu sonho erótico mais mundano. Talvez isso tudo soe bem estranho, mas meu verdadeiro amor é o prazer humano. Beijos molhados e arranhões me arrepiaram durante a tensão. Mãos, pernas, bundas, milhares de corpos vieram a minha mente fervorosos pelo tesao de me devorarem pelas beiradas. Dispensaram as camas, as escadas, paredes, preferiram o chão, o que me fez beijar o céu. Entrei num estado psicodélico filosófico, onde meu eu se fazia pelo tato e não pela razão. A emoção em cada letra, minha bocas em suas tetas, as veias saltando pelo fluxo de sangue forçando meu cérebro a ter uma ereção de idéias. Minha voz abafada não conseguia emitir qualquer outro som, senão um gemido fosco de puro delírio. A criatividade me possuiu, os poetas me comeram e penetrei num mundo abstrato. Os fatos, cães e gatos, de mãos dadas girando em torno de mim. Queria meu copo, seus corpos e o escopo da existência. O deserto da paciência me deu sede. Elas apenas continuavam me avançar secando até mesmo minhas lágrimas. Sentia meu corpo se esvaindo em cada gozada. Ejaculava meu ser pelas palavras que rabiscava em cada par de pernas. As ternas donzelas eram as bruxas ao mesmo tempo, fazendo do presente a única sensação digna de ser vivida. Me senti forte e vivo novamente. Dominador e dominado ao mesmo tempo. O prazer consumiu meus olhos, meus copos e meus cigarros. O fogo do meu isqueiro acendeu-as por baixo de suas saias, pondo-as em total submissão à minha vontade. Mas liguei o chuveiro, e a realidade caiu junto com a água fria que me atingiu. O frio empatou a foda. Já não produzia mais líbido, minhas palavras foram lavadas e tudo que fora escrito, não passou de uma noitada.

Yuri Cidade

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